O Festival_2017

O Festival


O Festival Livro na Rua nasceu da ideia de promover as livrarias de rua, que se mantêm como espaço de convivência entre leitores e livros – objetos que, aliás, vão muito além de meros objetos de consumo. “Livrarias são espaços sentimentais que vivem a literatura e têm grande importância na formação do leitor”, ressalta o vice-presidente da Câmara Mineira do Livro e um dos idealizadores do FLIR, Alencar Fráguas Perdigão.

Um dos principais problemas que enfrentamos para a promoção do hábito de leitura no Brasil é que o público que queremos atingir é muito amplo e disperso. As pesquisas indicam que existem dois locais principais de contato com o leitor: um deles é a escola, já que a alfabetização é o primeiro passo para a leitura. O outro são as livrarias. De acordo com a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2016, 43% dos leitores adquirem seus livros em uma livraria, o que faz das livrarias a principal fonte de acesso ao livro no Brasil.

Existem dois tipos de loja de livro. Uma é a grande cadeia, que atende por vários nomes, mas são bem parecidas, com quase sempre a mesma oferta de livros e autores. Outra é a livraria tradicional, onde você pode encontrar uma variedade de editora, títulos, autores e temas bem maior do que parece sugerir o seu tamanho físico. São nessas livrarias que as pequenas editoras e os autores locais encontram vitrine. As livrarias tradicionais promovem a diversidade para uma sociedade que é caracterizada por ser diversa e cada livraria tem as suas características individuais, proporcionando uma experiência cultural única.

Em uma livraria física, temos a possibilidade da mediação de leitura. O que é a mediação? Segundo José Castilho Marques Neto, um dos responsáveis pelo Plano Nacional do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, a mediação de leitura é: “É mediar uma relação humana que acontece entre três pessoas, o autor, alguém que conhece o texto, e alguém que não o conhece. É uma relação próxima àquelas que você estabelece nas coisas da vida, no cotidiano.”

Ou seja, na Livraria, temos a possibilidade de fortalecimento do hábito de leitura, já que é algo cotidiano que vai além do mero consumo. O livro não é tratado como mera mercadoria pelo livreiro tradicional, que por seu relacionamento afetivo com o livro, é capaz de transmitir esse sentimento genuíno de amor para o leitor. O que o livreiro faz não é venda, mas sim entrelaçar dois apaixonados e por ser baseado em sentimentos bem mais fortes e o hábito de leitura, assim despertado, é mais duradouro e fiel.

O livreiro é capaz de nos guiar pelas estantes e nos ajudar a escolher os livros, que pareciam escondidos.

Existem vários tipos de eventos literários no Brasil e a sua existência tem sido defendida, já que cidades onde tais eventos ocorrem são cidades com bons índices de leitura. Mas a maior parte dos eventos seguem modelos similares. Esses festivais estão recebendo críticas pelos seus custos e por investirem em um público e artistas padronizados.

O Festival Livro na Rua percorreu uma rota diversa, apostando na originalidade de sua proposta, ao ser dedicado às livrarias tradicionais e a diversidade que representam. Ao ocupar a rua com design e arquitetura especialmente planejada para despertarem nas famílias, adultos e criança, uma relação com livro que será mantida no resto da vida, pois é a mesma relação de amabilidade e aventura que encontram nas livrarias tradicionais.

O FLIR ainda reúne duas tradições de Belo Horizonte. Uma é a tradição de ocupação da rua e promoção de feiras comercias e culturais de sucesso. Neste sentido, a rua é local de inclusão. Se a mobilidade social e econômica é um desafio complexo, outra forma de mobilidade, a cultural pode acontecer. Na rua, nas feiras, a sociedade é plana e a troca de experiências é constante. Assim, colocamos em prática a inclusão por meio da leitura. O FLIR será momento de intercâmbio que atingirá uma parcela ampla e variada da população, ajudando a complementar o processo formador que começa na escola.

A outra tradição é a literária. São as ruas com nomes de grandes autores, que fizeram da cidade a sua casa. São as estátuas, integradas com a paisagem das praças e prédios. Somos também a capital com o maior número de livrarias por habitante. É hora de valorizarmos essa tradição para ajudarmos a preservar as livrarias tradicionais, que passam por momento delicado no Brasil. Belo Horizonte é, também, a capital com o maior número de livrarias por habitante. “Com o Festival, é hora de valorizarmos tais tradições, para ajudarmos a preservar as livrarias tradicionais, que passam por momento delicado no Brasil”, afirma Alencar Perdigão, proprietário da tradicional Livraria Quixote

A união destas duas tradições trouxe para Belo Horizonte em 2017 o Festival Livro na Rua que aliou a promoção de um setor econômico tradicional e combalido com a cultura e educação, dois pontos de extrema importância social que necessitavam e ainda precisam receber investimentos para podermos escolher qual será a Belo Horizonte que será lembrada no futuro.

Ficha técnica


COORDENADOR-GERAL DO FLIR
  • Alencar Fráguas Perdigão (Vice-Presidente da CML)
COORDENAÇÃO
  • Rosana de Mont’Alverne Neto (Presidente da Câmara Mineira do Livro - CML)
  • Alexandre Machado (Diretor da CML)
COORDENADOR DE PRODUÇÃO
  • Bosco Ladeira
COORDENAÇÃO, CURADORIA ARTÍSTICA E IDENTIDADE VISUAL
  • Dinah Verleun
CURADOR DA PROGRAMAÇÃO LITERÁRIA
  • José Eduardo Gonçalves
PROJETO ARQUITETÔNICO
  • Fernando Maculan
  • Micrópolis
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
  • Lubiana Mol
COMUNICAÇÃO
  • João Camilo de Oliveira Torres
SITE
  • AMITECNO

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