Gostinho de quero mais

Cliffhanger é um termo usando para descrever quando um personagem é exposto a um dilema ou situação limite e a narrativa pausa para criar tensão e expectativa no leitor. Domingo, na Rua Fernandes Tourinho, um capítulo da história do Festival Livro na Rua terminou com um cliffhanger: os leitores ainda passavam pelos estandes dos expositores, o curador do evento, José Eduardo Gonçalves acompanhava as últimas falas de Heloísa Starling, Márcia Maria Cruz e Flávio Carsadale na mesa A memória afetiva e a coleção BH, talvez sem darem conta que, no dia em que for a vez de registrar a história da Rua da Literatura, eles serão personagem, assim como o FLIR.

Várias questões ficaram no ar e o desejo de quero mais na mente de expositores, produtores, leitores e convidados. Belo Horizonte deseja mais e temos espaço para mais: alguém se lembra de como era a cidade durante o Carnaval? Os eventos aconteciam longe da área central e a disputa que existia era para espantá-los para outra região. Como é o carnaval é hoje? A união do interesse público e privado criou uma festa que atraí turistas e recursos para a cidade. Tudo isso também é possível com a literatura: Belo Horizonte tem vocação para a literatura, com uma Rua da Literatura, um prédio cheio de sebos, livrarias, bibliotecas, autores e artistas que vivem diariamente do livro. Temos uma história que ainda está viva nas nossas ruas.

Essa história não era ouvida apenas no final do evento, mas logo no começo, Afonso Borges contava parte da participação dele nesta história e na luta pela promoção da literatura e da Rua da Literatura. Da história para as histórias: ao mesmo tempo Leo Cunha, Rosana de Mont’Alverne e Fabíola Farias conversavam sobre a literatura infantil e deixaram uma dica: no próximo FLIR, que todos venham com um livro debaixo do braço, mas tragam também mais pessoas puxadas pela mão para serem convertidas em leitores. Multiplicar é possível e a leitura que é resistência também é causa de empatia e de diálogo, seja nas escolas como defendeu Flávio Oliveira ou até mesmo na cabeça dos juízes, na visão de Fernando Amando Ribeiro.

No final, a leitura é um caso de amor, com todas possíveis e impossíveis, contraditórias que são, definições de amor que existem. E o FLIR ajudou a resgatar a memória de Eduardo Frieiro deixando uma mensagem final de amizade. A amizade do um por todos e todos por um que uniu, não apenas os livreiros, mas os comerciantes da rua, em um fim-de-semana que deveria durar para sempre.

Amizade é contagiante. Vamos espalhar e que o Festival fique cada vez maior.

O Festival livro na rua – FLIR 2019 foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à cultura de Belo Horizonte e o patrocínio do Instituto Cultural Unimed, além do apoio da Academia Mineira de Letras, Globo, Comiteco Netmóveis e CDL-BH.

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