Homenageado

Homenageado


EDUARDO FRIEIRO

Eduardo Frieiro: um amigo dos livros

Antes de ser escritor, foi leitor. Os jornais foram sua primeira grande paixão e como bom leitor, não importava a data dos jornais que conseguia encontrar para ler, pois lia jornais velhos que encontrava nas ruas ou eram usados para embrulhar compras.

Como muitos escritores, passou pela transformação mágica provocada pela leitura do Dom Quixote de Cervantes. Sem dúvida, acabou contaminado pela loucura de querer ser andante e resolveu essa loucura escrevendo:

“ali pelos doze anos eu lia de tudo, aunque fuesen los papeles rotos de la calle (por fazer minhas as palavras do prodigioso autodidata que foi Cervantes), quando me caiu nas mãos um exemplar do Dom Quixote em espanhol. Não sei qual era a procedência daquele volume, pois em casa de meus pais, proletários sem letras, não havia livros e raramente entravam jornais. Só sei que li o volume, e o li com gana, embora eu só conhecesse da língua de Cervantes aquelas palavras que também são portuguesas (...) Voltando ao Dom Quixote. Queria eu dizer que, lido por mim na puerícia, o livro de Cervantes foi um dos episódios mais felizes das minhas aventuras de caçador furtivo de leituras, que não tinha muito onde escolher, nem sempre sabia escolher e, por isso, fazia alvo de todo papel escrito que se achasse ao meu alcance” (...).”

Começou publicar em jornais em 1924 e logo depois escreveu sobre As Artes em Minas Gerais - Pintura, Escultura e Música, na obra Minas Gerais em 1925, organizada pelo jornalista carioca Victor Silveira. Em 1927 publicou seu primeiro romance: O Clube dos Grafômanos e depois foram várias obras.

Ao perceber a estagnação do mercado editorial mineiro, virou editor. Criou o selo Pindorama para lançar seus próprios livros e de outros autores, como Carlos Drummond de Andrade e sua primeira obra, em 1930: “Alguma poesia”. Para ajudar os jovens escritores, que não tinham dinheiro para bancar a publicação, criou o selo “Amigos dos Livros”, que publicava em pequenas tiragens as obras em forma de cooperativa.

Também foi professor, sendo um dos fundadores da Faculdade de Filosofia (FAFICH), hoje da UFMG, e lecionou as disciplinas Literatura Espanhola e Literatura Hispano-Americana e História do Livro e das Bibliotecas. Foi escolhido para ser o primeiro diretor da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais e em meio a tudo isso, tornou-se imortal da Academia Mineira de Letras. Quando ganhou o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, em 1960, já era mesmo um personagem da literatura Mineira, tão real quanto o admirado Quixote.

Como se adotando um arquétipo, no final da vida, estava quase cego. Havia sido diretor de Bibliotecas como Borges e como Groussac. Continuou sendo um leitor, utilizando-se de lentes até falecer no dia 23 de março de 1982.

Obras

· O Clube dos Grafômanos (romance),1927
· O Mameluco Boaventura (romance), 1929
· Basileu - primeiro publicado como Inquietude, Melancolia (romance), 1930
· O Brasileiro Não é Triste (ensaio), 1931
· A Ilusão Literária (ensaios), 1932
· O Cabo das Tormentas (romance), 1936
· Letras Mineiras (crítica), 1937
· Os Livros Nossos Amigos – Reflexões de um amigo dos livros, 1941
· Como era Gonzaga? (ensaio), 1950
· Páginas de Críticas e Outros Escritos, 1956
· O Diabo na Livraria do Cônego e outros temas mineiros, 1957
· O Alegre Arciprestre e outros temas de literatura espanhola, 1959
· O Romancista Avelino Fóscolo (ensaio biográfico), 1960
· Vários Opúsculos, 1962
· Feijão, Angu e Couve, ensaio sobre a comida dos mineiros, 1966
· Torre de Papel. Motivos literários, 1966
· O Elmo de Mambrino (ensaios), 1971
· Novo Diário, 1986


patrocinadores_FLIR_2019

Compartilhe: